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Caprinocultura

120 produtores mostram que caprinocultura do Nordeste busca manejo de baixo custo

No dia de campo, 120 criadores de caprinos do Nordeste participaram, sinalizando que estão procurando alternativas de manejo que reduzam o custo da ração e acelerem a adoção de cochos mais eficientes e dietas econômicas.

Por Francisco Marcos Gomes FeitosaMagnata do SalFundador da VERMEFÓS. Mais de 30 anos em nutrição animal, do balcão da agropecuária ao cocho.

· 3 min de leitura · De onde vêm os números: Embrapa · MAPA

Ovelhas em fazenda na cidade de Joaíma-MG

Foto: Dlee saxx, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Participação que fala alto

A presença de cento e vinte produtores num único evento não foi coincidência, pois demonstra que a questão do custo de alimentação está no topo da agenda. Eles vieram de vários estados do Nordeste, representando desde pequenos sítios familiares até propriedades medianas com dezenas de animais. O objetivo comum foi trocar ideias práticas sobre como cortar despesas sem perder produtividade, sem teorias complicadas. O clima foi de conversa direta, com exemplos do dia a dia no curral.

A maioria dos criadores relatou que a ração representa a maior parte do custo anual do rebanho, especialmente quando o preço da soja ou do milho dispara. Quando esses grãos sobem, o caixa do caprino aperta e o produtor sente o impacto no resultado final. Por isso, a busca por cochos que aproveitem melhor os recursos locais ganhou força, levando a testes com misturas de subprodutos da agroindústria. Essa pressão já moveu alguns a experimentar forragens alternativas, como silagem de mandioca ou capim coloniado.

Cocho eficiente, dieta enxuta

Cochos bem balanceados podem reduzir o consumo de concentrado em até metade, segundo relatos de campo, porque fornecem energia suficiente por meio da fibra de boa qualidade. Usar forragens como capim coloniado, silagem de mandioca ou pastagens bem manejadas permite que o animal obtenha energia e proteína sem depender exclusivamente de milho. O segredo está em combinar a fibra com a proteína certa, ajustando a proporção para evitar excessos que desperdicem recursos. Quando o balanceamento está correto, o animal mantém o ganho de peso e a produção de leite, enquanto o custo da ração cai.

Dietas de baixo custo costumam incluir subprodutos como bagaço de cana, casca de arroz ou torta de algodão, sempre avaliados quanto à qualidade nutricional e à presença de antinutrientes. Esses ingredientes diminuem o gasto com milho, mas precisam ser introduzidos de forma gradual para evitar distúrbios digestivos, como a fermentação excessiva no rúmen. O acompanhamento do responsável técnico é indispensável para ajustar a ração ao estágio produtivo e garantir que a saúde do rebanho não seja comprometida. Assim, o produtor consegue economizar sem abrir mão da performance dos animais.

Caminho para a adoção em larga escala

Com tantos produtores reunidos, a difusão de boas práticas acontece mais rápido, porque cada criador leva o que aprendeu para sua própria fazenda e compartilha com vizinhos. Quando um criador vê outro obtendo resultados positivos, a confiança na mudança cresce e a resistência diminui. O apoio de instituições como Embrapa e MAPA reforça a credibilidade das recomendações, oferecendo material técnico e visitas de extensão que validam as técnicas apresentadas. Essa combinação de troca entre pares e respaldo institucional cria um ambiente propício à adoção em larga escala.

A expectativa é que, nos próximos anos, mais caprinos adotem sistemas que usem menos concentrado e mais forragem local, reduzindo custos operacionais e melhorando a margem de lucro sem comprometer a saúde do rebanho. A decisão final, porém, cabe ao produtor, que deve contar com a orientação de seu zootecnista ou veterinário para adequar as mudanças ao contexto específico da propriedade. Quando a dieta é ajustada corretamente, o animal mantém o ganho de peso, a produção de leite e a resistência a doenças, garantindo sustentabilidade econômica e ambiental. Essa trajetória depende da continuidade das capacitações e do acesso a informações confiáveis.

De onde vêm os números

  1. 1Embrapa. Aponta que a substituição de concentrado por forragem de qualidade pode reduzir custos sem perder desempenho https://www.embrapa.br/
  2. 2MAPA. Recomenda o uso de subprodutos agroindustriais na dieta de caprinos quando avaliados por técnico competente https://www.gov.br/agricultura/pt-br

Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.

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