VERMEFÓS

Campo Aberto

Conhecimento de cocho, não de folheto.Artigos técnicos, vídeos, fontes abertas e a agenda do agro e do povo.
Voltar ao site

Coluna

Marca nova não pode prometer o que as grandes prometem

Quem chega depois não tem histórico para gastar. Tem só a palavra, e a palavra rende juros ou vira dívida, dependendo do que se prometeu.

Por Francisco Marcos Gomes FeitosaMagnata do SalFundador da VERMEFÓS. Mais de 30 anos em nutrição animal, do balcão da agropecuária ao cocho.

· 4 min de leitura · Coluna de opinião

Rebanho nelore na pastagem olhando para a câmera, sob céu azul

Foto: Carlos Ebert, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Chegar depois muda as regras

Marca com décadas de mercado tem uma reserva acumulada: muita gente já testou, já viu funcionar, e um lote ruim não derruba a história inteira. Marca nova não tem reserva nenhuma. Cada saco é o primeiro saco para quem está comprando, e o primeiro saco é o que decide se vai haver um segundo.

Parece desvantagem. É o contrário: obriga a uma disciplina que a marca estabelecida pode se dar ao luxo de ir perdendo aos poucos, sem que ninguém repare na hora. Quem não tem crédito acumulado precisa acertar todo dia. Isso é um método, não um castigo.

A tentação de gritar mais alto

O caminho mais curto para aparecer é prometer mais do que os outros: mais desempenho, mais rápido, mais visível no lote. Ninguém cobra promessa no primeiro mês, e quando cobra já se vendeu outro lote e já se abriu outra praça. Funciona, por um tempo, e é por isso que tanta gente tenta.

Acompanho este setor há mais de trinta anos e o final é sempre parecido. A marca que prometeu mais é a primeira em que se deixa de acreditar. Na pecuária, notícia de produto que não segurou anda mais rápido do que qualquer propaganda: anda de vizinho para vizinho, de porteira em porteira, e não existe espaço publicitário que se compre para desmentir.

Prometer o que se sustenta no pior mês

A regra que considero a única defensável para quem está chegando: colocar no rótulo aquilo que se sustenta no pior mês do ano, não no melhor. E dizer com todas as letras o que o produto não faz. Suplemento não cura doença, não substitui manejo sanitário e não conserta cocho vazio. Quem promete essas três coisas está vendendo alívio, não nutrição.

Isso custa venda no curto prazo, e custa de verdade: há negócio que não se fecha porque do outro lado do balcão alguém prometeu mais. Ainda assim sai mais barato do que o cliente que compra uma vez, se decepciona e conta para outros cinco.

Tempo é o único aval

Confiança não se compra: se acumula. Lote após lote, seca após seca, com o produto fazendo sempre a mesma coisa e o rótulo dizendo sempre a mesma coisa. Não existe atalho, e quem oferece um está vendendo outra coisa que não é nutrição.

Prefiro que digam que a VERMEFÓS promete pouco. Promessa pequena e cumprida vira cliente antigo, e cliente antigo é o único ativo que uma marca de nutrição realmente tem. Promessa grande e furada vira aviso na porteira do vizinho.

Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.

Compartilhar

Dúvida sobre suplementação?

Fale com a equipe da VERMEFÓS.

Fale com a VERMEFÓS
Ver todos os artigos