Pasto e Seca
O que muda no cocho na estação seca
Na seca o pasto não só diminui: ele muda de qualidade. E o que estava certo nas águas deixa de estar.
Foto: A. Duarte, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Duas estações, dois pastos
O calendário da pecuária a pasto no Brasil tropical se divide em águas e seca. Não são apenas dois regimes de chuva: são dois pastos diferentes dentro da mesma cerca.
Nas águas o capim cresce rápido, tem mais folha e mais proteína. Na seca ele para de crescer, a proporção de talo aumenta, a fibra endurece e o teor de proteína e de minerais cai. O animal continua ali, mas o alimento que está pisando não é o mesmo.
O consumo cai junto
Um capim mais fibroso e menos digestível passa mais devagar pelo rúmen. Isso reduz a quantidade que o animal consegue comer por dia, justamente quando cada bocado vale menos. É uma queda dupla: menos quantidade e menos qualidade.
Nesse ponto a suplementação deixa de ser complemento e passa a ser o que sustenta o desempenho. Não porque substitua o pasto, mas porque devolve o que o pasto deixou de entregar.
O cocho na seca
Três cuidados simples decidem mais do que qualquer ajuste de formulação. O primeiro é a cobertura: cocho descoberto perde produto com a chuva de fim de tarde e deixa sobra estragada no fundo. O segundo é a limpeza: sobra empedrada no fundo do cocho reduz o consumo mesmo com produto disponível.
O terceiro é a água. Consumo de mineral e consumo de água andam juntos. Bebedouro distante, sujo ou insuficiente derruba a ingestão de mineral sem que ninguém relacione uma coisa com a outra.
Planejar antes de precisar
A seca não chega de surpresa: chega todo ano, com data aproximada conhecida em cada região. O que costuma faltar não é previsão, é antecedência: ajustar lotação, reservar volumoso e garantir que o mineral esteja no cocho antes de o pasto secar, não depois.
A informação climática de cada região é pública e está disponível nos boletins do INMET e no Monitor de Secas. Cruzar esse calendário com o do rebanho é a decisão de manejo mais barata que existe.
De onde vêm os números
- 1Embrapa. Material técnico sobre manejo de pastagens e suplementação na estação seca. https://www.embrapa.br/gado-de-corte
- 2INMET. Instituto Nacional de Meteorologia, boletins e dados climatológicos. https://portal.inmet.gov.br/
Para ir além
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.
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