Nutrição de ruminantes
Por que o gado come terra e rói osso
O gado come terra e rói osso porque busca minerais que faltam na forragem e tenta suprir deficiências de sódio, cálcio e fósforo que o pasto nem sempre fornece. Essa busca pode ser natural, mas também indica manejo inadequado ou solo pobre em nutrientes.
Foto: Bunker2023, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Por que a terra entra na dieta
Os bovinos, ovinos e caprinos têm o hábito de ingerir solo quando a pastagem não oferece todos os minerais essenciais. O comportamento é antigo e já foi observado em rebanhos de todo o Brasil. Quando o pasto é pobre em sódio ou tem baixa disponibilidade de magnésio, o animal sente a necessidade de complementar a dieta. O consumo de terra pode acontecer de forma discreta ou em grandes quantidades, dependendo da escassez.
A terra contém sais minerais que o rúmen não consegue extrair da planta. Entre eles, sódio, potássio, cálcio e alguns oligoelementos estão presentes em quantidades variáveis. O animal sente a diferença porque esses minerais influenciam a contração muscular e a produção de saliva. Quando o animal não tem acesso a suplementos, ele recorre ao solo como fonte de reserva.
O hábito de comer terra também pode ser uma resposta ao estresse ambiental. Calor intenso, falta de água ou pastagem curta aumentam a curiosidade do rebanho por objetos diferentes. O ato de roer a terra ainda ajuda a reduzir a irritação bucal provocada por forragem seca. Por isso, observar a frequência desse comportamento ajuda a identificar problemas no manejo.
O que a terra oferece ao ruminante
Além dos sais minerais, a terra traz matéria orgânica que pode servir de fibra adicional. Essa fibra pode estimular a motilidade ruminal, mas em excesso pode causar bloqueios. O solo também pode conter microrganismos que competem com a flora ruminal, alterando a digestão. Por isso, o consumo indiscriminado de terra não é sempre benéfico.
A composição mineral da terra varia conforme a região e o tipo de solo. Em áreas de cerrado, por exemplo, o solo costuma ser rico em potássio, enquanto nas áreas de caatinga o teor de sódio pode ser maior. Essa variação explica porque alguns rebanhos roem mais terra que outros. O produtor deve conhecer o tipo de solo da propriedade para avaliar a necessidade de suplementação.
Quando a terra é a única fonte de minerais, o animal pode não alcançar as exigências de crescimento ou produção de leite. A deficiência de cálcio, por exemplo, afeta a formação de leite e a contração uterina. A falta de fósforo compromete o desenvolvimento ósseo dos bezerros. Por isso, a ingestão de terra deve ser vista como um sinal de alerta, não como solução definitiva.
Rói osso: necessidade de minerais
O ato de roer osso está diretamente ligado à busca por fósforo e cálcio. Ossos são ricos nesses minerais e, quando o animal sente que a dieta está deficiente, ele tenta extraí‑los. O comportamento é mais comum em rebanhos que recebem forragem de baixa qualidade ou que não têm suplemento mineral adequado. A prática pode ser observada tanto em bezerros quanto em vacas adultas.
Além dos minerais, roer osso ajuda a desgastar os dentes, algo importante para ruminantes que crescem continuamente. O desgaste natural evita problemas de mastigação que poderiam reduzir a ingestão de alimento. Contudo, o consumo excessivo de osso pode causar lesões na boca ou obstrução do trato digestivo. O manejo deve garantir que o animal tenha acesso a fontes seguras de minerais, reduzindo a necessidade de roer osso.
Em sistemas de confinamento, a oferta de blocos de sal mineral ou de suplementos em forma de farinha de osso costuma suprir essa demanda. No pasto, a estratégia inclui a distribuição de minerais em áreas de água ou a adição de sal mineral nas bebedouros. Quando essas medidas são adotadas, o comportamento de roer osso diminui consideravelmente. O produtor deve observar a frequência do hábito para ajustar a suplementação.
Riscos e cuidados ao consumir terra e osso
A ingestão de terra pode introduzir contaminantes como metais pesados, pesticidas ou parasitas. Esses agentes podem causar intoxicação ou doenças parasitárias que afetam a produtividade. A presença de pedras ou fragmentos duros também pode lesionar o rúmen ou o trato gastrointestinal. Por isso, a avaliação da qualidade do solo é fundamental antes de permitir o acesso livre.
O consumo de osso pode gerar fragmentos pontiagudos que perfuram o esôfago ou o estômago. Em casos extremos, pode ocorrer peritonite ou pericardite, situações graves que exigem intervenção veterinária. Além disso, o excesso de fósforo pode desbalancear o cálcio, prejudicando a formação óssea. O responsável técnico deve monitorar a saúde do rebanho e ajustar a dieta conforme necessário.
Nenhum suplemento ou prática de manejo substitui a orientação de um veterinário ou zootecnista. Eles são os profissionais indicados para analisar a necessidade de minerais e propor a melhor estratégia. O uso de produtos da VERMEFÓS pode ser considerado dentro de um plano de manejo, mas nunca como solução única. A prevenção começa com a observação diária dos animais e a correção de deficiências alimentares.
Como o manejo pode reduzir o consumo de terra e osso
Mapear as áreas de pastagem e identificar pontos onde o solo é mais atrativo ajuda a controlar o acesso. Barreiras físicas ou a distribuição de minerais em locais estratégicos desviam o animal da terra. A rotação de pastagens também melhora a qualidade da forragem, reduzindo a necessidade de buscar minerais externos.
A suplementação mineral deve ser oferecida de forma constante e em quantidade suficiente para atender as exigências de cada fase produtiva. Blocos de sal mineral, pedras de calcário ou misturas de minerais solúveis são opções práticas. Quando o animal tem a fonte correta ao alcance, ele deixa de roer osso ou comer terra.
A água limpa e em quantidade adequada também influencia o comportamento. Animais desidratados tendem a buscar sais na terra para compensar a perda de eletrólitos. Manter bebedouros em bom estado e distribuídos por todo o pasto diminui esse estímulo. O acompanhamento diário do rebanho permite ajustes rápidos antes que o hábito se torne problemático.
De onde vêm os números
- 1Embrapa. Estudos sobre ingestão de solo por ruminantes e suas implicações nutricionais https://www.embrapa.br/
- 2Universidade Federal de Viçosa. Pesquisa sobre consumo de ossos e necessidades minerais em bovinos de corte https://www.ufv.br/
- 3MAPA. Diretrizes de suplementação mineral para ovinos e caprinos em sistemas de pastagem https://www.gov.br/agricultura/pt-br
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.
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