Nutrição de ruminantes
Quanto de proteína o capim perde na estação seca
Na estação seca o teor de proteína bruta do capim pode cair de cerca de 12 % para 5‑6 % da matéria seca, uma perda de quase 50 %.
Foto: Sturm, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Queda do teor de proteína
Em pastagens de Brachiaria e Panicum, o teor de proteína bruta (PB) costuma ficar entre 11‑13 % da matéria seca (MS) no início da estação chuvosa. Com o avanço da seca e a redução da disponibilidade de água, esse valor cai rapidamente. Ao final da estação, a PB costuma ficar entre 5‑6 % da MS, o que representa quase metade do conteúdo inicial.
Esse declínio ocorre porque a planta prioriza a produção de carboidratos de reserva e diminui a síntese de nitrogênio. A menor absorção de nitrato do solo e o aumento da temperatura também contribuem para a redução da proteína. O resultado é um capim menos nutritivo para o rebanho.
Consequências para o rebanho
A queda da PB reduz a disponibilidade de aminoácidos essenciais, limitando a produção de leite e o ganho de peso dos animais. Mesmo que o consumo de matéria seca aumente, o aporte proteico pode ficar abaixo das exigências de bovinos de corte, leite, ovinos e caprinos. O déficit pode levar a perda de condição corporal e menor eficiência produtiva.
Para compensar, o responsável técnico costuma ajustar a suplementação de proteína, seja com concentrados ou forragens de alta qualidade. A avaliação do balanço de nitrogênio torna‑se ainda mais importante na seca.
Estratégias de manejo
Manter a pastagem em altura de corte adequada ajuda a preservar a PB, pois folhas mais jovens contêm mais proteína que colmos. A rotação de piquetes e o manejo de adubação nitrogenada também podem atenuar a perda de proteína durante a seca. Em áreas críticas, a introdução de leguminosas forrageiras pode elevar o teor proteico do pasto.
Qualquer mudança no plano de alimentação deve ser validada pelo veterinário ou zootecnista do rebanho. O acompanhamento da PB da forragem, por meio de análises periódicas, permite ajustes precisos e evita déficits.
De onde vêm os números
- 1Embrapa. Embrapa. Pastagens tropicais – manejo e nutrição. Dados de variação de proteína bruta em Brachiaria brizantha ao longo da estação seca.
- 2Universidade Federal de Viçosa. UFV. Estudo sobre a variação da proteína em capins durante a estação seca em regiões de cerrado. Relata queda de PB de 12 % para 5‑6 % da MS.
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.
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