Gestão de Água
Segurança hídrica na Bacia do Jaguaribe: menos custo com irrigação e mais água para o pasto
Sim, o projeto de segurança hídrica na Bacia do Jaguaribe pode reduzir os custos de irrigação ao disponibilizar mais água para as pastagens, diminuindo a necessidade de compra de água e de investimentos em sistemas caros. Com mais água no solo, o produtor gasta menos energia e compra menos forragem, o que alivia o caixa e garante produção mais estável de carne e leite.
Por Francisco Marcos Gomes FeitosaMagnata do SalFundador da VERMEFÓS. Mais de 30 anos em nutrição animal, do balcão da agropecuária ao cocho.
Foto: Scott Bauer, USDA ARS, Public domain, via Wikimedia Commons
Água na pastagem, a base da produção
A água que chega à pastagem é o que garante a produção de forragem de qualidade, essencial para o ganho de peso dos bovinos e para a produção de leite das vacas. Na Bacia do Jaguaribe, a escassez tem sido rotina nos últimos anos, forçando o produtor a buscar fontes caras ou a reduzir a área de pasto. O projeto de segurança hídrica traz captação de água de chuva e uso de reservatórios menores, que armazenam o volume suficiente para os períodos críticos. Essas ações aumentam a disponibilidade de água nos momentos de maior demanda, sem depender de compra externa.
Com mais água no solo, a pastagem cresce mais rápido e desenvolve melhor densidade de folhas, o que eleva a produção de matéria seca por hectare. O manejo de irrigação passa a ser pontual, só quando a umidade realmente falta, evitando desperdício. Isso reduz o volume de água bombeada e, consequentemente, o custo da energia elétrica ou do combustível usado nas bombas. O produtor sente a diferença já nas primeiras semanas, com pasto mais verde e animais mais satisfeitos.
Menos gasto com irrigação, mais dinheiro no bolso
Quando a irrigação é usada só quando necessário, o gasto com energia elétrica cai consideravelmente, porque as bombas operam menos horas por dia. Menos água bombeada significa menos combustível ou menos conta de luz, o que alivia a pressão no fluxo de caixa do sítio. O custo do cocho também diminui, pois a forragem fresca substitui parte do concentrado comprado, reduzindo a necessidade de ração industrial. O caixa do produtor respira, permitindo investir em outras áreas da propriedade.
Além da economia direta, o produtor evita investimentos caros em sistemas de irrigação de alta vazão, que muitas vezes ficam subutilizados nos períodos de chuva. Os reservatórios já instalados servem para várias áreas, evitando a compra de bombas adicionais e simplificando a logística de distribuição de água. A manutenção desses equipamentos também fica mais simples e barata, já que há menos peças móveis e menos desgaste. O retorno do investimento aparece em poucos ciclos, refletindo em lucro real.
Segurança para carne e leite
Com água garantida, a pastagem mantém a produção mesmo nas épocas de seca, oferecendo forragem de qualidade constante ao rebanho. Os animais consomem mais forragem natural, o que favorece ganho de peso nos bovinos de corte e eleva a produção de leite nas vacas, sem necessidade de suplementação exagerada. A qualidade do leite melhora quando o pasto está verde, apresentando maior teor de proteína e melhor sabor. O rebanho fica mais saudável, com menor incidência de estresse hídrico.
Essa segurança reduz a necessidade de comprar forragem ou suplementos de emergência, que costumam ter preço elevado e qualidade variável. O produtor pode planejar o lote de bezerros ou a inseminação sem temer falta de alimento, garantindo um calendário produtivo mais estável. Sempre consulte o responsável técnico para ajustar a dieta ao novo cenário hídrico, pois a quantidade de forragem pode mudar ao longo do ano. O projeto não substitui o manejo adequado, apenas dá mais margem de manobra para decisões estratégicas.
De onde vêm os números
- 1Embrapa. Estudos sobre captação de água de chuva e uso racional em sistemas de pastagem https://www.embrapa.br/
- 2MAPA. Diretrizes para manejo hídrico em áreas de produção animal https://www.gov.br/agricultura/pt-br
Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de um responsável técnico para o seu rebanho.
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